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Mensagem da Câmara Municipal ¨Pitangui 303 anos¨.

cultura 09/06/2018
Mensagem da Câmara Municipal ¨Pitangui 303 anos¨.
Fotos: Iracema F. Campos Texto: ACHMG

 Um Pouco da História de Pitangui

 

A sétima vila do ouro, Pitangui fica no sopé da Serra da Cruz do Monte, um dos mais altos pontos da região, e é conhecida popularmente como Cidade Mãe. Pitangui significa "rio das pitangas" ou "rio das crianças", nome dado primitivamente ao rio Pará, em cujas margens os paulistas teriam encontrado um aldeamento de índios com muitas crianças. Preocupado com o crescimento constante da sua economia, a cidade conta com um poder público que orienta, planeja e organiza junto com a sociedade civil, seus próximos passos, para que os investimentos de médio porte para a indústria, a agricultura, o comércio e os serviços aconteçam com harmonia, gerando boas condições de trabalho, novos empregos e renda, sem esquecer a melhoria da qualidade de vida de todos. Pitangui, a Sétima Vila do Ouro das Gerais é isto. A mais pura história de nosso país.

A Vila de Nossa Senhora da Piedade de Pitangui foi oficialmente criada em 06 de fevereiro de 1715, pelo então Governador da Capitania de Minas, Dom Braz Baltazar da Silveira, depois de inúmeros pedidos dos moradores do arraial das Minas Novas de Pitangui neste sentido. Sua instalação, entretanto, só se dará a 09 de junho de 1715, quando o superintendente Antônio Pires de Ávila reúne os moradores do arraial e declara que, por autorização do Governador Dom Brás Baltazar da Silveira, ali estava para organizar e presidir o estabelecimento da Vila.

Entretanto a história de Pitangui é bem anterior a esta data. Há uma versão de Basílio de Magalhães, historiador mineiro, que identifica a bandeira de André de Leão como a primeira a estar por estas paragens já em 1601, a partir de registros do expedicionário holandês Glimmer. Desta Bandeira, rastros não ficaram por medo de uma tribo indígena que vivia na região, e acabaram saindo às pressas, restando apenas os relatórios do expedicionário holandês que identificou dois rios de grandeza diversa, que correndo do sul entre as Serras Sabarabuçu, rompem para o Norte; e é minha opinião que esses dois rios são as fontes ou cabeceiras do rio São Francisco.

Orville Derby, historiador que fez o resumo dos registros de Glimmer, concluiu através de suas pesquisas, que a Serra do Sabarabuçu era provavelmente a de Pitangui e os rios a que se referiu o expedicionário, o Pará e o Paraopeba. Como exposição não deixou registros nem fixou povoado algum, o mérito da primeira ocupação coube mais tarde a Bandeira chefiada por Bartolomeu Bueno da Silva – o filho de Anhanguera – que partindo de Taubaté para a região do Rio das Velhas (...) e, guiado por índios, foi descobrir o Rio a que dera o nome de Pitangui. Corria já o ano de 1696. O termo Pitangui, antigo nome do Rio Pará, que significa “rio de crianças”, está associado a história de que as suas margens teria sido encontrado pelos primeiros povoadores uma aldeia de índios – provavelmente Carijós -, com muitas crianças. Outra versão corrente é que Pitangui, em tupi-guarani, quer dizer “rio vermelho”.

Apesar de todas as discussões sobre a data precisa de sua chegada a região, o que se sabe é que Bartolomeu Bueno por ali se estabeleceu antes de instalada a Vila, como maioria dos paulistas que por ali chegaram após a derrota da Guerra dos Emboabas (1708), em busca de novas minerações ainda fora do conhecimento da côrte. Este fato pode explicar inclusive, a demora de Portugal em tomar conhecimento do “Ouro do Batatal”.

Nos locais hoje conhecidos como Morro do Batatal e Lavrados foi onde se deu a primeira descoberta de ouro da região, assim denominada pelo aspecto avantajado das pepitas, mais parecidas a brotos de batatas que afloravam no solo. A notícia se espalhou e foi grande o número de forasteiros que por ali chegou em busca do ouro formando um povoado tumultuado e desordenado em decorrência dos confrontos pela posse das minerações. A fim de garantir mais segurança ao território, a população local requer do Governador da capitania D. Brás Baltazar da Silveira a  elevação do arraial à condição de Vila e, por conseguinte, a instalação da Casa de  Câmara e cadeia, o que certamente traria mais ordem a região. A 09 de junho de 1715, portanto, é instalada a Vila de Nossa Senhora da Piedade, cujo nome homenagearia a Padroeira da Paróquia (Diniz – 1965).

A população que por ali se instalou, predominantemente paulistas de espírito rebelde ainda insatisfeito com a derrota dos emboabas, não aderiram ao pagamento dos quintos reais por quase dez anos. Todas as tentativas e ameaças da corte no sentido de fazer esta cobrança foram inúteis, a população enfrentou um a um dos que vieram receber o referido pagamento, em algumas vezes inclusive, matando aqueles que ali ousavam chegar para a cobrança do quinto.

Até que em janeiro de 1720, forças enviadas pelo Conde de Assumar, então Governador da Capitania, conseguiu após a luta dura e difícil, vencer os revoltosos comandados por Domingos Rodrigues do Prado. Conseguiram assim adentrar a vila, retomar o controle local e fazer a devassa dos bens dos amotinados. Este episódio ficou conhecido como a Revolta de 1720.
A história é marcada por outras datas importantes:
1792 – descoberta de diamantes, em especial no Rio Abaeté;
1798 – identificação de jazida de chumbo, tendo sido estabelecida uma fábrica  para sua extração, denominada Minas de Galena;
1844 – iniciada a construção da Santa Casa de Misericórdia, concluída em 1879 e até hoje em funcionamento;
Motim da cachaça;
1865 – o envio de tropas para a Guerra do Paraguai que integraram a 2° Brigada Mineira. É considerado um dos municípios que contribuíram com maiores contingentes de voluntários nessa oportunidade.

Vários personagens ilustres ajudaram e ainda ajudam a escrever a história de Pitangui. Padre Belchior foi um deles, apesar de diamantinense na origem, viveu por muito tempo na cidade com papel fundamental na política local. Sabe-se de sua importância como membro da comitiva de D. Pedro I na ocasião da Proclamação de nossa independência.

Também podemos citar Gustavo Capanema, ilustre Ministro dos tempos de Getúlio Vargas e Jk, também filho de Pitangui. O Ministro da Fazenda Martinho Campos e Francisco Campos, o cartunista Borjalo, o artista cênico Antônio Soares do Grupo Teatral Galpão, entre outros. Duas personagens se tornaram também célebres na cidade, sendo suas histórias cercadas de lendas. Refiro-me a Dona Joaquina de Pompeu, muito influente na corte da época e Dona Maria Tangará, que por ali viveram na segunda metade do século XVIII. Ambas muito ricas e poderosas tiveram participação ativa na vida da cidade.

Decorridos 140 anos desde a sua fundação, a Vila de Pitangui foi elevada a categoria de cidade com o nome atual, através da lei n° 731, de 16 de maio de1855.

Segundo Fraga, o primeiro sistema de abastecimento de água potável da cidade foi inaugurado em 1901, através de manilhas de barro que transportavam a água da Mata da Pedreira. Segundo consta ainda este sistema foi logo substituído por canos de ferro devido a sua fragilidade.

Importante registrar a inauguração da Estação Ferroviária em 1907, que passou a inserir Ptangui na malha ferroviária do Estado, determinando uma nova dinâmica ao município.
Em 1911, a Cia. de Tecidos Pitanguiense tomou a iniciativa de prover de energia elétrica a Fábrica de Brumado, através da aquisição da Cachoeira Bento Lopes. A inauguração da luz elétrica na cidade ocorreu, portanto em agosto de 1914.

O município sofreu diversas alterações em seu território desde seu reconhecimento oficial como Vila em 1715 até consolidar a sua área atual.